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Dia Internacional do Trabalhador: reflexão sobre o papel do trabalho pós-pandemia.
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Na dúvida sobre a cientificidade, volte a Popper

Em tempos de obscurantismo, um dos fenômenos mais comuns é a negação da ciência. A História mostra que, não raro, a mistura entre fanatismo político-religioso e pura ignorância leva a consequências catastróficas, tais como: guerra, fome, peste e morte. Mas, acalme seu coração! Apesar da alusão escatológica, esse não é mais um entre os textos científico-religiosos, como tantos outros que tem seguido essa péssima moda. (rsss!)

Karl Raimund Popper foi um filósofo que se destacou nos campos da Filosofia da Ciência e da Ciência Política. Na Inglaterra, publicou muitos de seus escritos enquanto desenvolvia sua carreira docente na LSE – London School of Economics. Embora, seja muito conhecido por seu pensamento político (vide o “Paradoxo da Tolerância”) se tornou célebre, também, pelo pensamento sobre a ciência, ideias que impactaram muitos cientistas. Nesse texto, destaco o princípio da falseabilidade, uma de suas construções mais influentes.

Desafiando o pensamento hegemônico de sua época, Popper afirmava que uma proposição científica poderia ser considerada verdadeira ou falsa não a partir de sua verificabilidade, mas sim, por meio de sua falseabilidade (refutabilidade).  Segundo Popper, o pensamento científico hegemônico se orientava, previamente, por uma teoria a ser comprovada, dessa forma, se baseava no método indutivo que selecionava os fenômenos a serem investigados e, assim, intentavam comprovar algo que já se supunha.

Divergindo do princípio da verificabilidade, o novo paradigma proposto por Popper, não se utilizava de experiências empíricas que confirmassem uma teoria, mas empreendia uma busca por fatos particulares que refutassem a hipótese. Assim, se intentava provar a veracidade de uma teoria, buscando provas de que ela era falsa e, caso a teoria resistisse à refutação pela experiência, poder-se-ia considerá-la comprovada.

Mas, por que este texto evoca o pensamento de Popper em tempos de obscurantismo?

– Porque o princípio da falseabilidade estabeleceu a crítica de uma teoria como o ponto no qual se é possível considerá-la, ou não, científica. Em outras palavras, quando uma teoria não permite a possibilidade de refutação por meio da experiência, essa teoria deve ser categorizada como mito, não como ciência. Dessa forma, fica facilitada a tarefa de identificação e rechaço dos precários argumentos obscurantistas.

Espero que este singelo texto instigue os leitores a se aprofundar no campo da investigação científica. Afinal, os destinos da humanidade dependem disso!

Sobre o autores

Doutor em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (2016). Mestre em Ciências Contábeis pela Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças - FUCAPE (2006). Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES (2000), Bacharel em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES (1995). Autor de livro, capítulos de livros e artigos em eventos e periódicos nacionais e internacionais. Pesquisador Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão - NEPGEST. Pesquisador Líder do Grupo de Estudo em Manufatura Digital - GEM@D. Editor-Chefe da RINTERPAP - Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (ISSN: 2675-6552). Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - IFES, desde 2008. Docente do Mestrado em Gestão Pública da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, desde 2018. Tem foco nas pesquisas do campo das Interdisciplinaridades, da Gestão Pública, bem como, do Comportamento Humano nos contextos: organizacional, do consumo e da aceitação e uso de novas tecnologias.

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