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Quero pesquisar! Vou sozinho ou em um grupo?

Quando professor de instituição ou profissional que coloca um propósito de realizar uma pesquisa técnico-científica, diversos questionamentos surgem. Para aqueles que não conhecem a fundo a arte de pesquisar: por onde começar?

‘Pesquisa’ tem por significado indagação, investigação ou procura com diligência1. Já o significado da palavra ‘científico’, remete à ciência ou às ciências, que mostra ciência1. Se unirmos as duas palavras em um único contexto “pesquisa científica”, podemos logo pensar que trata de uma investigação ou simples indagação que mostra ciência. Entretanto, “mostrar ciência” não é tão trivial como possa aparentar quando se tratando de uma pesquisa científica. Não são os resultados, no geral, de uma simples pesquisa.

A definição “mostra ciência” pode ser compreendia como “divulgação científica”. Apesar de que uma divulgação científica de qualidade possa parecer algo difícil de ser alcançado, normalmente associamos esta ao resultado de um trabalho, que em muitos casos, pode ser quantificado por horas a fio, apertos, conflitos e muita dedicação.

Alguns pesquisadores optam por trabalhar com um tema sem o amparo de um grupo de pesquisa consolidado. Ou há preferência por iniciar nesse meio com seu próprio grupo preferindo individualidade ou exclusividade. Mas é importante entendermos um pouco a relação pesquisador e grupo de pesquisa antes de optar por qual caminho seguir.

Definido pelo CNPQ, um grupo de pesquisa “é um conjunto de indivíduos organizados hierarquicamente em torno de uma ou, eventualmente duas lideranças”2. É possível, na base do CNPq, a existência de um grupo composto somente por um pesquisador e seus alunos. Mas qual o propósito principal desse senão para o fomento da divulgação científica como um todo?

Nos grupos de pesquisa consolidados, há envolvimento em atividades de pesquisa, além de ser observada, em sua hierarquia, uma liderança no terreno científico ou tecnológico. Para esses grupos, a experiência se organiza em torno de suas linhas de pesquisa, que pavimenta caminhos firmes rumos ao crescimento da ciência.

Assim sendo, é importante que um pesquisador esteja apoiado num ambiente firme para que suas ideias técnico-científicas sejam enraizadas e gerem frutos, ou seja, sejam divulgadas de forma adequada. Mas quando estamos pegando uma estrada já pavimentada, sinalizada e com um caminho promissor de um grupo já existente, será que a nova ideia de pesquisa é aderente às suas linhas ao qual estará subordinado? E vale a pena desenvolver uma pesquisa em um grupo sem que este trabalho tenha aderência com os seus propósitos e linhas desenvolvidas?

É fato que não estar sendo apoiado por um grupo de pesquisa consolidado pode dificultar o processo de pesquisa por não haver o conhecimento de boas práticas ou de caminhos adequados para trilhar. A vivência do ser pesquisador é um processo que se constrói com aprendizado, principalmente metodologia, semente à semente, na compreensão de todo o processo que emana de uma ideia de pesquisar.

Imagine todo crescimento de um pesquisador como uma árvore num campo. Esta árvore cresce por meio de parceria. Uma árvore não cresce sem a parceria da terra, da água, do ar, dos animais e de outros elementos da natureza. Cada elemento tem seu propósito, mas cada um depende um do outro para crescimento da natureza como um todo. Assim é pesquisa! E, uma vez que esse pesquisador se sentir apto a construir seu próprio grupo de pesquisa, é necessário pensar sempre em construir firmes redes de parcerias para que a sua árvore de divulgação científica seja consistente aos resultados esperados pela sociedade civil e acadêmica.

Referências:

1) Pesquisa: significado de pesquisa no Dicionário Aurélio de Português Online. Dicionário Aurélio de Português Online. Disponível em: https://dicionariodoaurelio.com. Acesso em: 11 jun. 2018

2) G01. O que é um grupo de pesquisa?. FAQ – Plataforma Lattes – CNPq. CNPq. Disponível emhttp://lattes.cnpq.br/web/dgp/faq/. Acesso em: 11 jun. 2018.

Sobre o autores

Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Porto Alegre (2017). Mestre em Engenharia de Sistemas Logísticos pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli-USP (2011). Bacharel em Engenharia de Produção pela Faculdades Integradas Espírito-santense - FAESA (2008). Autor de capítulos de livros e artigos em eventos e periódicos nacionais e internacionais. Pesquisador Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão - NEPGEST. Pesquisador Líder do Grupo de Estudo em Manufatura Digital - GEM@D. Editor da RINTERPAP - Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (ISSN: 2675-6552). Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - IFES, desde 2013. Professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública da UFES e docente da pós-graduação em Engenharia de Produção com Ênfase em Tecnologias da Decisão. Tem foco em pesquisas no campo das Interdisciplinaridades, da Gestão Pública, bem como no campo da Pesquisa Operacional e tecnologias educacionais em diversas áreas: otimização linear, metas-heurísticas, simulação computacional, jogos sérios digitais e gamificação.

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