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Um receita para o sucesso na implementação de modelos

É importante pensar muito quando se pretende desenvolver algo. Não adianta sair implementando e confiando nos softwares robustos que encontramos para nos auxiliar. Qual seria uma receita simples para que se possa conduzir de forma satisfatória os projetos, como em simulação computacional na Engenharia ou em jogos sérios digitais na Educação? 

Antes de tudo, é importante termos conhecimento do significado de um modelo conceitual e qual o propósito de um processo de validação. Podemos definir o modelo como uma representação simplificada, em menor escala, de algo. Como um dos passos para o desenvolvimento, como exemplo, de sistema produtivo ou de jogos sérios, é importante elucidar todos elementos necessários para essa construção, com base na conceitualização. Com base nesse modelo é possível tomar decisões simuladas ou analíticas, bem como atingir os objetivos definidos, acerca do sistema antes que se façam interferências no sistema real.

Para que o modelo possa ser desenvolvido, é necessário, antes de tudo, um modelo conceitual que serve de balizamento para que a implementação seja realizada com êxito, evitando-se, assim, dispêndio desnecessário de tempo e dinheiro. O processo de validação, que pode ocorrer tanto para o modelo conceitual quanto para o modelo implementado, serve para aferir, de forma sistemática, se os resultados são válidos e se os mesmos podem ser utilizados para o processo decisório ou para sua finalidade de uso.

É natural que o modelo conceitual ou mesmo o processo de validação seja esquecido ou dado menos importância quando um profissional, principalmente da área tecnológica, tem disponível um software robusto para auxiliar na implementação de seu produto computacional. É fato que o resultado de um modelo computacional somente é real quando devidamente válido para o seu propósito. Entretanto, quando etapas no seu desenvolvimento são supridas por questões de economia ou falta de conhecimento, não é possível evidenciar a credibilidade.

Na Engenharia, especificamente no desenvolvimento de modelos de simulação computacionais, é observada uma prática de não ser dado o devido valor aos modelos conceituais e aos processos de validação. Quando modelos que não seguem os trâmites corretos com relação à determinação dos seus conceitos e as validações das etapas com metodologia adequada, acaba fornecendo resultados na base da crença e não de forma científica.

Quando nos deparamos na área de desenvolvimento de jogos sérios digitais, uma área emergente, principalmente no contexto brasileiro, podemos nos deparar com um cenário que se repete em comparação aos modelos de simulação computacional na Engenharia. Observa-se que parte dos desenvolvedores de jogos sérios digitais se sustentam fortemente nas engrenagens de desenvolvimento de jogos e esquecem do estudo, do detalhe, do ambiente de aprendizagem ao qual esse jogo estará inserido, de quais dados de entrada deverão se transformar em dados de saída, bem definidos e devidamente documentados. Utiliza-se, nesse caso, uma técnica que pode tornar o processo mais oneroso do que se houvesse um zelo maior na construção de um sólido modelo conceitual com as devidas validações. Essa técnica podemos denominar como “técnica do chute”. Na tentativa e erro o jogo sério digital ou o modelo de simulação computacional, por exemplo, vai sendo edificado e, quando está “adequado” ao seu propósito, é implementado.

Já me deparei muito na minha trajetória profissional com esse pensamento de que o mais importante são as linhas de código ou as lógicas implementadas nos pacotes, ou mesmo os indicadores obtidos pelos modelos, sendo mais relevante uma boa animação do sistema, sejam de simulação de eventos discretos ou de desenvolvimento de jogos sérios. São esquecidos os modelos conceituais e, principalmente, a validação de tudo que foi implementado. Entretanto, deve-se aferir a eficácia do modelo em seu propósito por meio de modelos robustos, normalmente estatísticos, que permitem de forma objetiva atestar a veracidade de tudo que foi desenvolvido, tendo como base as propostas definidas nos modelos conceituais.

Normalmente, podemos compreender que a maior parte de um projeto cujo o produto é computacional é pensar, abstrair, escrever e desenhar o modelo conceitual. São reuniões, discussões, filtros, explanações e, por fim, um consenso do que deve ser realmente implementado e utilizado. Com todo esse material conceitual desenvolvido, esse processo de construção é mais assertivo e menos oneroso, trazendo ganhos em diversos aspectos a todos envolvidos e afetados com o produto em si.

Então, quando for desenvolver um modelo ou produto computacional, ou mesmo não-computacional, pense muito antes de sair implementando, desenvolva um bom conceitual, valide, valide e valide! Não há perda de tempo na validação do conceito e da implementação, mas sim muitos ganhos e compreensão do que pode ser ainda melhor, antes de que se dispenda dinheiro com decisões erradas ou que os objetivos de aprendizagem de jogos sérios não sejam devidamente atingidos. As palavras-chaves principais são pensar, documentar, implementar e validar. Com essa receita, seus projetos e modelos se tornarão cada vez melhores!

Sobre o autores

Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Porto Alegre (2017). Mestre em Engenharia de Sistemas Logísticos pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli-USP (2011). Bacharel em Engenharia de Produção pela Faculdades Integradas Espírito-santense - FAESA (2008). Autor de capítulos de livros e artigos em eventos e periódicos nacionais e internacionais. Pesquisador Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão - NEPGEST. Pesquisador Líder do Grupo de Estudo em Manufatura Digital - GEM@D. Editor da RINTERPAP - Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (ISSN: 2675-6552). Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - IFES, desde 2013. Professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública da UFES e docente da pós-graduação em Engenharia de Produção com Ênfase em Tecnologias da Decisão. Tem foco em pesquisas no campo das Interdisciplinaridades, da Gestão Pública, bem como no campo da Pesquisa Operacional e tecnologias educacionais em diversas áreas: otimização linear, metas-heurísticas, simulação computacional, jogos sérios digitais e gamificação.

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